Era um dia estranho. Um dia em que as piadas não tinham graça e era melhor ficar calado.
Era uma quinta feira chuvosa.
Estavam eles no final da tarde.
O na mesa o refrigerante estourava bolhas.
Eles contavam um com o outro para fugir desse dia.
Ambos estavam sem graça. Não que estivessem encabulados. Eram íntimos um da mente do outro.
Sabiam das vontades e das ideias. Um romance? Provavelmente aconteceria, mas decidiram que não era certo.
- É um dia estranho.
Ele bebericou o refrigerante.
- É mesmo.
Todo assunto parecia ter acabado. Já não existia mais otimismo. Era uma chuva feia que chovia lá fora.
- Deveríamos fazer algo.
Cutucava o descanso do copo de leve.
-Você sempre quer fazer algo
Ela levou o copo aos lábios.
Ele ficou curioso de repente.
-Você quer ficar nesse clima?
Ela o olhou sem desejos.
-Que clima?
-Esse clima ruim, chato.
-Por que eu iria querer fugir dele?
Ele voltou os olhos para os arranhões que cobriam a mesa, pensou sobre se garotos como ele os teriam feito.
-Não parece divertido.
Ela o olhou de novo, dessa vez de um jeito que o fitou um pouco mais de tempo. Não o estava julgando, longe disso. Ela queria simplesmente olha-lo. Ela não tinha medo que ficassem de lados opostos, não mais entendessem o que estava acontecendo. Na verdade. A verdade de verdade. Ela o achava bonito.
-Você é obcecado por diversão. Não entendo porquê tudo sempre tem que ser divertido pra você.
Ele a olhou de modo divertido.
-Esse não é o ponto do vida?
Ela olhou pela janela, pra chuva escura lá fora. Ela apoiava o rosto delicadamente sobre mão. Seus cabelos loiros suavemente ondulados caiam pelas orelhas sem incomodar.
Ele a achava linda.
-Eu acho que não, -disse ela- acho que diversão faz parte.
Ele apoiou o rosto sobre um braço também.
-Não vamos discutir o sentido da vida de novo, vamos?
Ela sorriu de leve, seus olhos eram castanhos quase verdes.
-Eu acho que não. Sobre o que estávamos falando?
-Sobre esse clima tão não adorável de quinta feira.
Ela olhou pra ele fixamente.
-Acho que é o peso da vida sobre nós, o peso de todo o sofrimento que acontece agora, de todas as coisas ruins que fazemos.-Ela olhou pro seu copo.- As tristezas escolheram uma quinta feira pra nos visitar.
Ela o olhou fixamente mais uma vez.
-É por isso que deveríamos levar ela pra passear
Ela riu.
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