Acho que quando a vida começa a se tornar muito real todos precisamos de um gole de poesia.
E a minha estava se tornando dolorosamente real.
Parei numa biblioteca e tomei uns tragos de Franz Rulli Costa.
Quase perdi o horário do ônibus.
Ele estava saindo da estação, de repente me vi correndo, e pulando pra dentro dele.
Sorri pra cobradora.
Fiquei em pé do lado da janela, um menino-moço gentil segurou minha mochila.
Estava bem, era um dia claro. De nuvens bonitas.
Outra pessoa pulou dentro do ônibus.
Era uma amiga antiga, que abriu um grande sorriso ao me ver.
Com seus olhos grandes seu rosto era uma poesia.
Que fazia o peso do mundo ficar mais leve.
Seu sorriso sempre me acalmou, e mesmo que não dissesse nada, sempre foi bom ouvi-la.
Ela tem uma beleza que merece ser apreciada.
Logo ela desceu do ônibus.
Mas deixou uma garoto feliz lá dentro.
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