Morro.
Morro a cada vez que respiro o ar pesado, escuro e tóxico.
Morro toda vez que presto atenção no que é feito pra me tirar o raciocínio.
Morro toda vez que engulo toda esse açúcar que me amarga a boca.
Morro sempre ao ouvir as brigas pelos motivos mais bestas.
Morro aos poucos todos os dias.
Levantando da cama sem ver o sol.
Não vendo ele se por também.
Morro por receber um amor que não é nada a não ser um grito de alguém que se sente só.
Morro de medo de não viver até amanhã.
Morro de omissão.
Morro de inveja.
Morro de raiva, raiva que se aloja no coração e vai ajudando, mais e mais no meu ataque cardíaco.
Morro de tédio, sentindo que vou morrer sem sentir nada novo.
E assim eu morro.
Morro.
Mas acho que nunca morri tanto quanto morri quado aquele homem me apontou o revolver.
Homem de rosto curtido, maltratado pela vida com certeza.
Os olhos revirados, provavelmente louco por outra coisa que o estava matando também.
Provavelmente morria por razão diferentes da minha.
Talvez morríamos da mesma coisa.
Mas quando a bala atravessou minha barriga levando meu pedaço preferido do figado.
Morri.
Nenhum comentário:
Postar um comentário