domingo, 3 de maio de 2015

-Sempre é bom que alguém lhe lave as costas.
Eles estavam nus na banheira. Ele só via suas costas. Ela só sentia as mãos dele. Tentava ser delicado, mas retirar a sujeira da pele necessita de um pouco de força. Ao longe tocava música em francês, ele tinha alguns que conseguiu num sebo. Ela gostava, mesmo sem entender. Mas o som era longínquo, naquele momento tudo que estivesse para além da banheira seria longínquo. A tensão era sentida, mas pelos dois era ignorada. Não eram românticos um do outro, mas tinham muita afeição.
As dela eram lentamente esfoliadas pela escova, a pele firme e morena molhada lembrava estranhamente couro.
-Já fizemos isso alguma vez?
Ela nao se lembrara de ter fugido do mundo pra dentro da banheira com ele, nunca.
-Acho que não.
A água formava pequenas ondas espumosas. Ela deitou sobre o peito dele, o abdômen submerso, olhando o teto.
Não eram amigos, não eram amantes, não seriam nada. Eram duas pessoas.

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